Sem papas na língua, o crítico André Setaro participa da estréia do Clube da Crítica

"Para se ter boas críticas é necessário boa produção de filmes na Bahia" , defende o crítico André Setaro
"Para se ter boas críticas é necessário boa produção de filmes na Bahia" , defende o crítico André Setaro

O primeiro Clube da Crítica, evento realizado pelo 6° Festival Internacional de Cinema de Salvador, contou com a presença do crítico de cinema André Setaro. O debate foi iniciado logo após a exibição do filme Crítico do diretor Kleber Mendonça. O próximo encontro do Clube da Crítica será realizado no dia 21 de outubro às 19h no Cinema do Museu com a exibição do filme Tudo isso me parece um sonho do cineasta Geraldo Sarno.

O longa Crítico reúne uma série de depoimentos colhidos entre os anos de 1998 e 2007, onde diversos críticos e cineastas, brasileiros e estrangeiros, apresentam seus pontos de vista quanto às experiências com críticas sobre seus próprios filmes. Nomes como João Moreira Salles, Cláudio Assis, Daniel Filho, Fernando Meirelles, Walter Salles, Gus Van Sant, Tom Tykwer, Richard Linklater, Eduardo Coutinho, dentre outros, compõem o rol de convidados. Na opinião de Setaro, “um bom filme, principalmente pela quantidade de depoimentos preciosos”. A lógica da montagem do filme se rege por uma coerência interna, mas não há necessariamente uma postura de oposição entre as falas. O que é dito antes pode, ou não, ser contestado pelo depoimento posterior.

Em seu discurso, Setaro aponta a deficiência da boa crítica fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Falando mais precisamente da Bahia, declara que a falta de críticas relevantes se deve à incipiente boa produção de filmes no estado. E também afirma que “se tivesse crítica na Bahia, não teria influência significativa na vida das pessoas que frequentam o cinema”. A partir desse pressuposto, analisa o atual comportamento do público, em que a escolha dos filmes se faz de forma aleatória e a ida ao cinema se insere na programação do passeio ao shopping. Defende que, hoje em dia, a prática de “shoppear” se sobressai em relação às atividades culturais, onde o cinema está inserido. Fazendo comparações com o cinema feito nos anos 60 e 70, aborda o entusiasmo dos críticos em analisar os filmes, devido à rica produção e, onde a febre dos blockbusters nem imaginava ter espaço. “Atualmente, há uma mediocridade da produção, uma decadência e crise no processo criativo”, enfatiza. Questionado por um dos participantes do debate sobre como equilibrar a relação de amizade com cineastas baianos e o ofício de produzir críticas, Setaro responde que a situação é difícil, mas que não pode ser paternalista, já que acredita que a crítica tem a função de barrar uma má produção, forçando-a a se aprimorar.

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