“A dramaturgia está no quase nada”

Os ilustres convidados: o diretor Vinicius Reis (à fente) e o ator Chico Diaz no cine-papo após sessão do filme Saens Peña
Os ilustres convidados: o diretor Vinicius Reis (à frente) e o ator Chico Diaz no cine-papo após sessão do filme Saens Peña

A noite dessa segunda-feira, feriado em Salvador, foi gratificante para os espectadores que foram conferir a exibição do filme Praça Saens Peña, no Cine Vivo. Ao fim da sessão, um cine-papo com o diretor Vinicius Reis e o ator-protagonista Chico Diaz abrilhantaram mais ainda a sessão. Questionados por todos os lados, os convidados ilustres gentilmente responderam a todas as dúvidas, desde a produção do roteiro à leitura semiótica do filme. Para quem não pôde conferir a sessão realizada ontem, ainda tem mais uma oportunidade na sexta-feira, dia 16 de outubro, na sala do Cine Vivo às 18h50.

“Uma tentativa de entender o bairro da Tijuca”, afirma Vinicius ao explicar as motivações para a realização do longa Praça Saens Peña. O filme, ambientado no ano de 2006, retrata uma família de classe média baixa, onde seus personagens aspiram por uma vida melhor, seja pela produção de um livro, pela compra de um computador novo ou pela aquisição de um apartamento próprio. Paulo, o patriarca da família, exerce a função de professor e certo dia, recebe o convite para escrever um livro sobre o bairro da Tijuca. Buscando a forma mais apropriada de relatar a história, encontra na poesia a fórmula certeira. Mas, se frustra porque essa idéia não atende às intenções da editora que se propôs a publicar o livro. Tereza, sua esposa, interpretada belamente pela atriz Maria Padilha, trabalha em um pequeno mercado e ao saber do convite feito ao marido, faz planos para se livrarem definitivamente do aluguel. E a filha, Bel (Isabela Meirelles), na expectativa de fazer a prova de vestibular, acompanha a vida dos pais e preza por manter uma vida ociosa ao lado da melhor amiga. A sensibilidade e humanidade presentes no enredo fazem do filme um necessário alento para a produção audiovisual brasileira. Relatar o cotidiano, expor o que corre por dentro da vida das pessoas, pensar na riqueza e na beleza dos detalhes diários do ser urbano que, a todo momento, se depara com dúvidas, anseios, medos. A participação especial do letrista Aldir Blanc embelezou ainda mais o filme, trazendo suas experiências “tijucanas”.

Bastante expressivo, Chico Diaz defende: "É preciso imprimir humanidade aos personagens"
Bastante expressivo, Chico Diaz defende: "É preciso imprimir humanidade aos personagens"

Quando questionado sobre a destreza em desenvolver personagens tão diversificados (Jáder da novela Paraíso Tropical e Paulo do filme Saens Pena), o ator Chico Diaz não cambaleia: “é preciso imprimir humanidade aos personagens”. Algo que ele faz com perfeição e fidelidade. Seu papel como o pai e marido amoroso, trabalhador e fiel vai além do estereótipo do cidadão de classe média do Rio de Janeiro. Entre a vontade de crescer na vida e as frustrações do dia-a-dia, Paulo vive simplesmente, inserido em uma relação doméstica e delicada. Para Chico Diaz, a diferença entre o trabalho feito na TV e no cinema é gritante, pois enquanto o primeiro serve para ser jogado fora, o segundo deve ser mantido na lembrança. Nas palavras do ator, “Cinema tem nobreza e dignidade”.

Criar a atmosfera adequada se torna um grande desafio para quem produz cinema, no ponto de vista do diretor. Para ele, há um esforço demasiado na construção do ambiente externo, nos mínimos detalhes que compõem as cenas, tudo muito bem pensado para facilitar essa fruição. Por outro lado, a interação do diretor e atores também se constitui como um ponto fundamental para alcançar os objetivos esperados na construção do longa. Chico Diaz e Maria Padilha participaram do processo desde o início, quando o roteiro ainda estava sendo pensado, há 6 anos. Somente em 2006, foram contemplados com o edital da Petrobrás, o que permitiu a realização do filme em dois anos. Em seus projetos futuros, Vinicius expôs a realização de outro longa, onde conta a história de três amigos em pleno fim da década de 90. Mas, como o roteiro ainda está no papel, vai ser necessário aguardar um pouco para o lançamento.

“A dramaturgia está no quase nada”, relata Chico Diaz ao caracterizar o que há de mais sutil e delicado no filme Saens Peña. Além da boa filmagem, acompanhada de perto pelo diretor, e a abordagem das questões humanas: a respiração, a pausa, a dúvida. O filme será lançado em circuitos nacionais e internacionais a partir do dia 27/11.  Enquanto isso, a torcida pelo cinema nacional continua.

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