Debate sobre mídias moveis abre o ciclo de palestras do Festival

Rodrigo Minelli e Maurício Lídio no debate sobre mídias móveis
Rodrigo Minelli e Maurício Lídio no debate sobre mídias móveis

Os convidados da noite, Rodrigo Minelli, idealizador e coordenador do projeto Vivo art.mov e Mauricio Lídio, estudante de produção cultural da UFBa e autor do premiado curta “Bárbara”, deram início a um debate caloroso sobre o surgimento das mídias móveis e sua integração ao campo do audiovisual. Ainda não muito conhecidas, essas novas manifestações audiovisuais, até o momento denominadas de microcinema, apresentam uma ampla gama de resoluções e grande variedade de padrões e formatos. A discussão sobre a qualidade de imagem dos vídeos produzidos por celular se reconfigura a partir de outros parâmetros como a eloqüência, a imediaticidade e a construção de uma linguagem. A experiência lúdica, proporcionada pelo cinema, pode também ser vivida pela experimentação das mídias móveis.  De acordo com Rodrigo, “as potencialidades das transformações do audiovisual através desses novos dispositivos, e que um deles é o telefone celular, traz o conceito de microcinema, que se caracteriza muito mais pela lógica de produção, que é um cinema mais intimista, cotidiano, e que nem por isso deixa de ter a potência poética que o cinema tradicional tem”.

Um dos pontos explorados durante a discussão se trata do sintoma da época atual: a ideia de se publicar. A facilidade de ter um celular e fazer dele um instrumento de registro de imagens contribui significativamente para esse comportamento.  As mídias tradicionais, como a televisão, tem feito uso desse tipo de produção, em que a filmagem de um acontecimento no momento em que este se procede possui maior veracidade do que o registro do pós-ocorrido. Lidar com a verdade a todo momento se constitui como o grande desafio da geração atual, além da construção de um pensamento crítico para entender o mundo e o que fazemos com ele. A questão do privado X público também se estendeu no debate, pois se percebe que atualmente essas duas esferas se encontram atreladas e, no caso das mídias móveis, isso se reforça. Para comprovar, Rodrigo Minelli apresentou um curta produzido por uma adolescente de 13 anos, onde ela apresenta detalhes da sua vida, como os pais, o quarto, os bichinhos de pelúcia, expondo as imagens através de um olhar artístico.

Dentre as características que podem identificar as mídias móveis, observa-se a instabilidade de sua prática, as narrativas de curtíssima duração (mas ainda sem um tempo estabelecido), a produção em trânsito e a participação das redes de telefonia no processo. Essas redes, através da execução de festivais e premiações, buscam encontrar perspectivas de mercado para essas novas mídias. O que foi o caso de Mauricio Lídio, autor do vídeo Bárbara, que já teve 360.000 acessos no YouTube, e premiado como melhor filme de celular no Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro 2009. Ele reitera a importância do microcinema, admitindo a restrita apreciação de cineastas inseridos em outro contexto audiovisual. “Essa produção não é bem aceita, mas é uma realidade, é cinema. E as novas mídias trazem mais possibilidades, sendo que qualquer um pode fazer um vídeo pelo celular”. Para Wagner Pyter, ouvinte da palestra, “a venda de micro filmes em viagens de aviões, que podem ser exibidos em celulares, é um mercado interessante para as novas mídias”.

Vivo Art.mov em sua 4º edição

O Vivo arte.mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis é um evento voltado à utilização consciente das mídias móveis para fins de construção de experiências de compartilhamento de conhecimento, acesso à informação, criatividade e arte. Em sua 4ª edição, traz em seu conteúdo a realização de palestras, mostras e workshops onde a discussão sobre a transformação do cenário de produção audiovisual se torna presente. O festival desenvolve mostras de 30 a 40 minutos que priorizam a produção nacional, além de facilitar o intercâmbio com artistas e festivais do mundo inteiro. A curadoria é feita através da seleção de 45 trabalhos, onde 10 finalistas são escalados e premiados com telefones celulares. Destes, os três melhores vídeos são escolhidos e contemplados com prêmios em dinheiro. No site no Vivo art.mov , www.artemov.net, outras ferramentas podem ser encontradas como a revista digital e o blog do evento. O Vivo arte.mov tem inicio no dia 04 de novembro em Belo Horizonte, mas possui diversas parcerias com outros festivais, tais como o Continuum – I Festival de Arte e Tecnologia do Recife, o Goiânia Mostra Curtas e, na capital baiana, com o 6º Festival Internacional de Cinema de Salvador.

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Um comentário em “Debate sobre mídias moveis abre o ciclo de palestras do Festival

  1. legal a iniciativa nessa área. indo tb que a Unijorge promove, desde 2008, a Mostra Micromínima, com filmes de 1 minuto de duração produzido via mídias moveis pelso alunos do curso de comunicacao social, através da disciplina produçào em novas midias coordenadas pelos professores claudio manoel duarte e marcello medeiros.

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