CINE PAPO: Destaques do final de semana

17 10 2009
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Insolação, lançamento de Daniela Thomas e Felipe Hirsch

Neste final de semana (17 e 18/10), o 6º Festival Internacional de Cinema de Salvador destaca mais dois filmes brasileiros em sessões especiais seguidas de um Cine Papo com convidados. Confira abaixo a prorgamação.

TUDO ISSO ME PARECE UM SONHO
17/10 Sábado, 19h30
Saladearte Cinema do Museu
Cine Papo com o diretor Geraldo Sarno

De Geraldo Sarno. Brasil, 2008. 150′. Com Wilson Mello, Caco Monteiro e Nélia Carvalho. Documentário e ficção se unem para realizar pesquisa sobre a vida do General Abreu e Lima, pernambucano que participou, ao lado de Bolívar, de batalhas que libertaram Colômbia, Venezuela e Peru da coroa espanhola. O filme discute o processo dessa pesquisa e o processo de construção do próprio filme. Dessa maneira, um filme histórico, biográfico, se entrelaça com um filme sobre o cinema.

INSOLAÇÃO
18/10 Domingo, 20h40
Saladearte Cinema do Museu
Cine Papo com o ator André Frateschi

De Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Brasil, 2009. Drama, 93′. Com Chico Paulo José, Antonio Medeiros, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, André Frateschi. Uma cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e descampados em busca do amor inalcançável.





Bate papo com Geraldo Sarno no Cinema do Museu

17 10 2009
Cena do filme Tudo isso me parece um sonho

Cena do filme Tudo isso me parece um sonho

Programe-se: hoje teremos a exibição do longa Tudo isso me parece um sonho com a participação do diretor Geraldo Sarno que, após o filme, conversará com a platéia sobre sua experiência com o novo longa. No Cinema do Museu às 19h30.

Sinopse: Documentário e ficção se unem para realizar pesquisa sobre a vida do General Abreu e Lima, pernambucano que participou, ao lado de Bolívar, de batalhas que libertaram a Colômbia, Venezuela e Peru da coroa espanhola.

Não perca!





“A risada é a essência do povo Krahô”

17 10 2009

A atriz e diretora Letícia Sabatella e o protagonista do documentário Ismael Apract Hotxuá

A atriz e diretora Letícia Sabatella e o protagonista do documentário, Ismael Apract Hotxuá

A noite da sexta, dia 17, no Cine Vivo, foi encantada com a presença ilustre da atriz Letícia Sabatella, de Ulisses Monteiro, indigenista da União das Aldeias Krahô e do protagonista do documentário Hotxuá, Ismael Apract Krahô. Estrela do projeto, Ismael exerce grande liderança na sua aldeia atuando como palhaço, ou aquele que traz alegria a tribo, que trabalha com a auto-estima dos índios. Considerado por Letícia como um dos grandes atores brasileiros, o Hotxuá, ou palhaço, possui tamanha importância na comunidade Krahô, tal qual o cacique. “A risada é a essência do povo Krahô”, afirma. O artista circense Ricardo Pusseti, do grupo Lume, também foi convidado para as filmagens e uma das cenas marcantes do documentário acontece quando o dois palhaços, o indígena e o europeu, se encontram e se comunicam através da linguagem da brincadeira.

O filme ficou pronto em 2007 e já foi exibido em outras cidades, tais como Tiradentes, no Mato Grosso, no Encontro Internacional de Palhaços no Rio de Janeiro, em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, além de Dourado e Bonito. A repercussão foi muito boa e os direitos autorais foram direcionados para a comunidade Krahô. Esse documentário será exibido novamente hoje, às 18h50, no Cine Vivo.

Hotxuá é aquele que equilibra os opostos através da risada e das brincadeiras

Hotxuá é aquele que equilibra os opostos através da risada e das brincadeiras

O equilíbrio das forças opostas

Adotando a filosofia de que os opostos se complementam, ao invés de focar nos embates, o sentimento de irmandade prevalece. Hotxuá são palhaços que fazem as pessoas rirem através das brincadeiras. Ele possui total liberdade para entrar nos lugares e provocar risos, mudanças de humor. As demais pessoas não sentem inveja dele, pois sua função é manter o equilíbrio na aldeia e superar as dificuldades através da alegria. Apesar da predominância masculina, também existem mulheres Hotxuá. Nas palavras de Ismael, “qualquer grupo que brinca é Hotxuá. Todos gostam das brincadeiras. E se eu brincar sozinho, não tem graça”. Para se tornar um Hotxuá, é necessário ser batizado. Dessa forma, ele é preparado para desenvolver um olhar atencioso, já que se propõe a trazer a alegria para a aldeia. O palhaço também é conhecido por ensinar pelo avesso. Como no caso de uma das cenas do documentário em que se vê algumas crianças nadando no rio, competindo para saber quem era a mais forte. Nessa hora, o Hotxuá aparece e brinca com isso, interpretando um personagem que é mais fraco, que não consegue nadar no rio. É a idéia de diminuir a competição através das brincadeiras, de mostrar como se vive em harmonia, preservando os limites. Um dos festejos mais conhecidos é a Festa da batata, que celebra a colheita e é realizada durante o verão. Nesse encontro, questões políticas e indígenas são discutidas pelos participantes. E por causa do alto índice de dizimação da população Krahô, a preservação da cultura se constitui como uma obrigação e a importância disso é passada para as gerações posteriores.

Ulisses Monteiro, indigenista da União das Aldeias Krahô, ao lado de Ismael

Ulisses Monteiro, indigenista da União das Aldeias Krahô, ao lado de Ismael

Sustentabilidade X Neocolonialismo

Antigamente, a América Latina era composta pela vegetação do cerrado e devido aos movimentos migratórios das tribos, surgiram as florestas Tropical e Equatorial. Eles exerciam o extrativismo, como caça e pesca e plantavam vários alimentos, além de preservar santuários ecológicos ligados a nascente de grandes rios brasileiros. As tribos tinham consciência da preservação desse lugar. Atualmente, esses santuários tem sido destruídos por causa da maciça plantação de soja. Como Letícia Sabatella afirma: “A diversidade da natureza se contrapondo com o cultivo de uma monocultura”. Dessa forma, não somente o aspecto físico vai sendo atingido, mas elementos simbólicos da cultura. A língua do índio se faz daquilo que ele nomeia. Se o investimento da soja cresce, a língua do índio é destruída também, pois suas plantações perdem espaço. A propaganda sobre essa ação se vê em toda região, onde os outdoors anunciam: Tocantins, o estado da soja.  Além disso, o Governo Federal, através do PAC, mandou construir mais de 30 barragens, para a extração de alumínio visando à exportação. Isso tem alagado a terra de quatro etnias, inclusive a do Krahô. Nesse ínterim, Letícia questiona: “Que modelo de desenvolvimento nós queremos? Pensar em métodos a favor da sustentabilidade ou manter a exploração através do neocolonialismo? O que vemos é a extração e a venda por um preço que não cobre o dano ambiental”.

Letícia, a ilustre convidada do 6º Festival Internacional de Cinema de Salvador

Letícia, a ilustre convidada do 6º Festival Internacional de Cinema de Salvador

A experiência da direção

Sobre sua experiência com a direção do documentário, Letícia Sabatella afirma que foi legítimo assumir essa função e que, a vontade surgiu naturalmente, pois se identifica como mãe do projeto. Participando diretamente da montagem, apesar de não ter como objetivo produzir outros longas. Isso vai depende de um impulso maior, como aconteceu no caso do registro da cultura dos Hotxuá e da comunidade Krahô.





Embarque Imediato traz o diretor Allan Fiterman e o ator Jonathan Haagensen a Salvador

14 10 2009
Jonathan Haagensen participa do Cine Papo nesta quinta

Jonathan Haagensen participa do Cine Papo nesta quinta

Nesta quinta (15), a exibição do filme Embarque Imediato no 6º Festival Internacional de Cinema de Salvador contará com a presença do diretor Allan Fiterman e do ator Jonathan Haagensen. Convidados pelo Grupo Saladearte, eles participam de bate-papo com o público logo após a primeira exibição do longa na capital baiana, marcada para às 20h35, na Saladearte Cine Vivo (Shopping Paseo). O filme aborda o desejo de migrar para fora do país a partir da história de um jovem que tenta sair do Brasil clandestinamente. No elenco, além de Haagensen (conhecido pelo papel do malandro Cabeleira, em Cidade de Deus), os veteranos Marília Pêra e José Wilker. A sexta edição do Festival conta com patrocínio da Vivo e Governo do Estado, através da lei de incentivo Fazcultura.





Exibição do filme Morro do Céu com presença do diretor Gustavo Spolidoro

14 10 2009

O diretor Gustavo Spolidoro após a exibição do filme

O diretor Gustavo Spolidoro após a exibição do filme

Na quarta, dia 14, tivemos a exibição do longa Morro do Céu e um bate papo com o diretor Gustavo Spolidoro, que participou do festival do ano passado, exibindo o longa Ainda Orangotangos. Ao apresentar um filme em formato de ficção-documentário, Spolidoro explora imagens da terra natal de sua avó, Potiporã, para acompanhar a vida dos jovens que vivem nessa pequena cidade. O filme será exibido novamente no dia 18 de outubro às 20h30 no Cine XIV.

A cidade de Potiporã se localiza no interior do Rio Grande do Sul, onde o cultivo e colheita de uvas na época do verão para produzir vinho fazem parte da cultura local. A maioria dos moradores tem descendência italiana, algo que se nota no sotaque diferente. Foram quatro meses de convivência com os adolescentes, acompanhando o dia-a-dia dos moradores da região, o que pode ser percebido na naturalidade das interpretações. O protagonista, Bruno, é um jovem comum e durante o longa, tenta de várias formas conquistar a colega de escola. “A idéia era fazer um filme sem definições”, afirma o diretor. Muitas cenas foram acontecendo durante a filmagem, com poucas intervenções de Gustavo. Também é perceptível a influência de variados filmes, como Ondas do Destino, Paranoid Park e Elephant, na construção da linguagem cinematográfica.

O longa já foi exibido no Festival de Gramado desse ano, mas não participou da mostra competitiva e também do Festival do Rio de Janeiro na mostra Semana dos Realizadores. Além do Festival Indie de Belo Horizonte. De acordo com o diretor, no momento, o filme está sem previsão de participar de outros festivais. Sobre a reação do público, Gustavo acredita que muitas pessoas irão se identificar com os personagens e apreciar a história. Diferente da opinião que tem sobre o filme Ainda Orangotangos, onde os espectadores gostam muito ou não gostam de nada, devido ao enredo ter um conteúdo mais radical.





Cine Papo hoje recebe o diretor Sérgio Bianchi

13 10 2009
Sérgio Bianchi dirigiu Os Inquilinos

Sérgio Bianchi dirigiu Os Inquilinos

“A paz é uma palavra muito curta para fazer efeito. A sensaçăo de ter asas năo me agrada mais, quero rastejar”. (professora de português)

“Eu năo te conheço, você năo me conhece, o problema é o barulho.” (Valter sangrando)

“Ele estava bêbado, mordeu, arrancou um pedaço da minha canela.” (Vizinho)

“Alô. Quem morreu?” (Valter)

Esses textos aparentemente desencontrados saem do novo filme do cineasta Sérgio Bianchi – Os Inquilinos. A obra é destaque da noite de hoje no 6° Festival Internacional de Cinema de Salvador, com sessão às 20h30 na Saladearte Cine Vivo (Shopping Pase0). O polêmico Bianchi, também responsável por longas  como Cronicamente Inviável (2000) e Quanto vale ou é por quilo? (2004), considerados por muitos como indigestos, assiste à exibição junto com o público e na sequência, estará disponível para um bate-papo sobre este trabalho.

O elenco de Os Inquilinos reúne atores do circuito independente e globais: MARAT DESCARTES, ANA CARBATTI, UMBERTO MAGNANI, LENNON CAMPOS, ANDRESSA NÉRI, CÁSSIA KISS, ANA LUCIA TORRE, CAIO BLAT, LEONA CAVALLI, ZEZEH BARBOSA, SERGIO GUIZÉ, AILTON GRAÇA, SIDNEY SANTIAGO.

Para quem tem curiosidade sobre as origens deste cineasta, Sérgio Bianchi nasceu em 1945 em Ponta Grossa, no Paraná, e radicou-se em Săo Paulo em 1968. Atua no cinema desde 1972, tendo realizado os longas-metragens Maldita Coincidência (1979), Romance (1988), A Causa Secreta (1994), além dos citados acima. Uma prévia do que vem por aí você confere nessa entrevista do diretor.





“A dramaturgia está no quase nada”

13 10 2009

Os ilustres convidados: o diretor Vinicius Reis (à fente) e o ator Chico Diaz no cine-papo após sessão do filme Saens Peña

Os ilustres convidados: o diretor Vinicius Reis (à frente) e o ator Chico Diaz no cine-papo após sessão do filme Saens Peña

A noite dessa segunda-feira, feriado em Salvador, foi gratificante para os espectadores que foram conferir a exibição do filme Praça Saens Peña, no Cine Vivo. Ao fim da sessão, um cine-papo com o diretor Vinicius Reis e o ator-protagonista Chico Diaz abrilhantaram mais ainda a sessão. Questionados por todos os lados, os convidados ilustres gentilmente responderam a todas as dúvidas, desde a produção do roteiro à leitura semiótica do filme. Para quem não pôde conferir a sessão realizada ontem, ainda tem mais uma oportunidade na sexta-feira, dia 16 de outubro, na sala do Cine Vivo às 18h50.

“Uma tentativa de entender o bairro da Tijuca”, afirma Vinicius ao explicar as motivações para a realização do longa Praça Saens Peña. O filme, ambientado no ano de 2006, retrata uma família de classe média baixa, onde seus personagens aspiram por uma vida melhor, seja pela produção de um livro, pela compra de um computador novo ou pela aquisição de um apartamento próprio. Paulo, o patriarca da família, exerce a função de professor e certo dia, recebe o convite para escrever um livro sobre o bairro da Tijuca. Buscando a forma mais apropriada de relatar a história, encontra na poesia a fórmula certeira. Mas, se frustra porque essa idéia não atende às intenções da editora que se propôs a publicar o livro. Tereza, sua esposa, interpretada belamente pela atriz Maria Padilha, trabalha em um pequeno mercado e ao saber do convite feito ao marido, faz planos para se livrarem definitivamente do aluguel. E a filha, Bel (Isabela Meirelles), na expectativa de fazer a prova de vestibular, acompanha a vida dos pais e preza por manter uma vida ociosa ao lado da melhor amiga. A sensibilidade e humanidade presentes no enredo fazem do filme um necessário alento para a produção audiovisual brasileira. Relatar o cotidiano, expor o que corre por dentro da vida das pessoas, pensar na riqueza e na beleza dos detalhes diários do ser urbano que, a todo momento, se depara com dúvidas, anseios, medos. A participação especial do letrista Aldir Blanc embelezou ainda mais o filme, trazendo suas experiências “tijucanas”.

Bastante expressivo, Chico Diaz defende: "É preciso imprimir humanidade aos personagens"

Bastante expressivo, Chico Diaz defende: "É preciso imprimir humanidade aos personagens"

Quando questionado sobre a destreza em desenvolver personagens tão diversificados (Jáder da novela Paraíso Tropical e Paulo do filme Saens Pena), o ator Chico Diaz não cambaleia: “é preciso imprimir humanidade aos personagens”. Algo que ele faz com perfeição e fidelidade. Seu papel como o pai e marido amoroso, trabalhador e fiel vai além do estereótipo do cidadão de classe média do Rio de Janeiro. Entre a vontade de crescer na vida e as frustrações do dia-a-dia, Paulo vive simplesmente, inserido em uma relação doméstica e delicada. Para Chico Diaz, a diferença entre o trabalho feito na TV e no cinema é gritante, pois enquanto o primeiro serve para ser jogado fora, o segundo deve ser mantido na lembrança. Nas palavras do ator, “Cinema tem nobreza e dignidade”.

Criar a atmosfera adequada se torna um grande desafio para quem produz cinema, no ponto de vista do diretor. Para ele, há um esforço demasiado na construção do ambiente externo, nos mínimos detalhes que compõem as cenas, tudo muito bem pensado para facilitar essa fruição. Por outro lado, a interação do diretor e atores também se constitui como um ponto fundamental para alcançar os objetivos esperados na construção do longa. Chico Diaz e Maria Padilha participaram do processo desde o início, quando o roteiro ainda estava sendo pensado, há 6 anos. Somente em 2006, foram contemplados com o edital da Petrobrás, o que permitiu a realização do filme em dois anos. Em seus projetos futuros, Vinicius expôs a realização de outro longa, onde conta a história de três amigos em pleno fim da década de 90. Mas, como o roteiro ainda está no papel, vai ser necessário aguardar um pouco para o lançamento.

“A dramaturgia está no quase nada”, relata Chico Diaz ao caracterizar o que há de mais sutil e delicado no filme Saens Peña. Além da boa filmagem, acompanhada de perto pelo diretor, e a abordagem das questões humanas: a respiração, a pausa, a dúvida. O filme será lançado em circuitos nacionais e internacionais a partir do dia 27/11.  Enquanto isso, a torcida pelo cinema nacional continua.








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